terça-feira, 17 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
AMNÉSIA FOTOGRÁFICA
No último sábado (21/02), li na coluna do João Ximenes Braga, no caderno “Ela”, do jornal “O Globo”, sua discordância sobre a velha máxima de que “uma imagem vale por mil palavras”. Para tal, exemplificou com a experiência de um amigo que, cansado de sua amnésia alcoólica, decidiu registrar seus momentos “altos” a fim de poder se recordar do que havia feito. Começou com uma câmera e obteve péssimas fotos. Optou por escrever e, as poucas palavras que conseguiu registrar, davam muito mais o que pensar sobre os acontecimentos embebidos em álcool.
Assim como o colunista, também eu sempre preferi ler e escrever do que desenhar e que tais. Será que é daí que vem minha amnésia fotográfica? Quando me lembro de levar a câmera, tenho preguiça e acabo me esquecendo de tirar as fotos. Meu último acesso de amnésia foi justamente ontem, no jantar de 5 anos de minha filha, que nasceu numa quarta-feira de Cinzas em 2004.
Ela como, há quase um mês, já ganhou de presente de aniversário um gato, decidiu desde então comemorar seu dia indo a um restaurante japonês. Ela adora “salmão cru”, se pudesse comeria dia sim, dia não! Para registrar o esperado momento, já acordei colocando as baterias da câmera digital para carregar. Antes de me arrumar para sairmos, coloquei a câmera na bolsa. Estávamos indo eu, o pai, o irmão, o padrinho, a madrinha, a melhor amiga e os pais da melhor amiga. Eventão!
Chegando lá, uma surpreendente dificuldade para arrumarmos mesa. Em plena quarta-feira de Cinzas, o lugar estava lotado!
ABRE PARÊNTESES: Por que a cidade parece tão vazia neste Carnaval e, a qualquer lugar que se vá, está tudo tão cheio? É bloco, é cinema, é galeto, é restaurante japonês... Vai entender! FECHA PARÊNTESES.
Conseguimos a mesa para nove, conseguimos fazer os pedidos, nossos amigos que optarem pelo “a la carte” conseguiram ser servidos. Eu, meu marido e as crianças, que optamos pelo rodízio, ficamos a ver navios de combinados passando de um lado para o outro, esperando pelos pratos que não vinham. Meu marido reclamou, outro marido em outra mesa reclamava da demora.
A mãe da melhor amiga, que sempre leva câmera e sempre lembra de tirar fotos, fez uma linda das duas pilombetas! Eu esperava, com fome, a comida, torcendo para o tempo não fechar de vez com as reclamações e estragar o jantar. Na outra mesa, outra família tirava foto do pai segurando o bebezinho. Flashes refletindo em todas as paredes do restaurante: não posso me esquecer de tirar as fotos. Mas é melhor deixar pro final, quando tiver baixado toda a poeira...
Quando os amigos “a la carte” estavam quase terminando, começa a pingar o rodízio: missoshiru, harumaki, yakisoba, os sushis, mamãe-tô-com-sede-pede-logo-o-mate-quero-água-cadê-o-garçom, enfim os temakis!
Não sei bem do que se trata a “slow food”, mas sou definitivamente adepta do “slow eating”. Então serviço lento pra mim não é bem um problema, entende? Mas com criança, o “timing” de um jantar é definitivamente outro. Após toda essa prova zen pressa, quando acabei de comer o restaurante já estava bem mais vazio e as duas meninas brincavam láaaaaaaa no tatame desocupado. A madrinha da minha filha, cansada e com sono, já quis ir embora. Os demais “a la carte”, rapidamente satisfeitos, poderiam também já fechar a conta, que foi então pedida. Meu filho, ainda mais “slow” do que eu, depois ainda queria um mate, substituído por um ban-chá, que era cortesia e não ia dar mais trabalho no fechamento.
Pagamos e fomos embora.
A câmera não saiu da bolsa até agora, portanto muito menos a foto. Saiu essa postagem. Menos de mil palavras, que não sei se valem uma imagem do exato momento em que, após 5 anos, o aniversário da minha filha caiu de novo uma quarta-feira de Cinzas...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
ESSE ANO NÃO VAI SER IGUAL ÀQUELE QUE PASSOU
O primeiro dia útil oficial do ano foi 2 de janeiro. Mas o Carnaval só acabou ontem, muito mais do que bissextamente, na véspera da volta às aulas . Então a verdade é que só hoje 2008 começou a funcionar, e funcionar À VERA!
Ano Novo, vida nova: momento de retrospectivas e projetos para o futuro. O futuro começa depois do Carnaval, ou seja, hoje. No futuro, quer dizer, hoje, vou recomeçar minha dieta abandonada desde as festas de fim-de-ano. Vou arrumar a estante e o armário. Vou ligar pra alguns amigos que não vejo desde as festas de fim-de–ano e não encontrei no Carnaval.
Mas hoje já é segunda-feira e o trabalho começa! As aulas também! Não dá mais tempo de arrumar nem a estante nem o armário. Pros amigos, vou ligar no fim-de-semana, hoje está todo mundo trabalhando mesmo... Pelo menos deu pra recomeçar a dieta.
O ano mal começou, mas começou bem. Após tantos anos, a Portela desfilou no sábado entre as campeãs. No domingo a luz da cozinha pifou totalmente e nos vimos obrigados a chamar logo o eletricista pra fazer os consertos adiados pra depois do Carnaval. A casa, que andava com várias áreas de sombra, hoje voltou a ficar plenamente iluminada. Falando em iluminação, amanhã começo as aulas de ioga.
Então percebo que esse ano pode ser da aceleração no caminho de volta ao “lar”. Já em 2007 voltei a cantar em coral. Amanhã é a ioga. No começo de março vamos fazer de novo uma festa no terraço, que não fazemos desde o batizado da minha filha em 2004. Vou voltar a sair sozinha com meu marido no mínimo uma vez por mês, com naturalidade, e não como se fosse coisa de gente rica. No final do ano vamos sair todos de férias por 15 dias e ainda vamos levar a vovó. Como é bom voltar a ter uma vida normal!
Por isso esse ano, ao que tudo indica, não vai ser igual àquele que passou, em que eu não brinquei, nem meu marido brincou. Esse ano, meu bem, tá combinado: nós vamos brincar adoidado!
FELIZ 2008, galera!!!
domingo, 3 de fevereiro de 2008
O nome dela é Dona Elizabeth !!!
Ainda não sei nem como, nem quando, a tradição surgiu. Peço, aliás, a quem souber, que divulgue essa informação que, com certeza, acrescentará ainda mais lirismo ao renascimento do carnaval de rua do Rio.
Pra quem não pode presenciar a cena, aproveitem essa "palhinha" generosamente compartilhada por Lucas Landau. Agradeço a ele e a todos os foliões desconhecidos que, a cada ano, vão descortinando as maravilhas escondidas nas ruas nossas de cada dia.
Boa folia, galera!!!
domingo, 27 de janeiro de 2008
OUTRO CARNAVAL
No desfile do Gigantes da Lira no ano passado, me lembro que um assíduo folião desconhecido veio comentar comigo sobre a “velhinha da janela”. Nunca tinha ouvido falar dela, pois venho freqüentando o bloco há poucos anos, apenas depois que meus filhos nasceram. Conversando comigo como se eu freqüentasse desde criancinha, lamentava-se o folião desconhecido de que este ano ela não aparecera na janela, como acontecia sempre até então. Bastante comovido e preocupado, ele apontava para um prédio na descida da ladeira, e eu olhava como se o identificasse por pura simpatia a seus sentimentos.
Um ano se passou e voltei ao bloco sem me lembrar desse comentário perdido entre os confetes. Esse outro Carnaval começou despretensioso como todos os demais que passamos aqui no Rio. Olhei pela janela pra receber o aval de São Pedro, que me recomendou levar a capa de chuva da minha filha. Tirei as fantasias e os acessórios que repousaram doze meses no armário, enchi as garrafinhas esportivas de água, coloquei os chocalhos na mochila e botei meu bloco na rua.
Encontra um, encontra dois, encontra três, encontra quatro, e a concentração pessoal já está formada pra cair na folia. O bloco sai magicamente, sem confusão. Vamos o acompanhando pela calçada pra ganhar tempo e espaço, e ficar mais perto da banda. Bem na curva, bem na hora de entrar no bloco no ponto certo, cai uma chuva mais forte. Eu, minha filha e minha comadre vamos nos abrigar sob uma exígua marquise que, momescamente, abraça a todos os foliões avessos à chuva ou com crianças menores. Quando pára a chuva, o bloco já soa distante, mas bastou andar alguns metros para reencontrarmos seu coração musical e os amigos já dados como perdidos.
Metros à frente o bloco parou, aparentemente sem motivo. Aí reparei que todos se voltavam para uma janela aberta, de madeira azul, no segundo andar de um prédio pequeno e cinzento. Cantávamos “Carinhoso”, todos balançando os braços numa mega seresta para quem? A “velhinha da janela” estava lá, e imediatamente me lembrei com alívio do comentário do folião desconhecido do Carnaval que passou. Alguns tiravam fotos e muitos se emocionavam com aquela Rapunzel de cabelos grisalhos e curtos, que do alto de sua torre, agradecia comovida a homenagem do Gigante de 10 anos que, em seguida, cantou “Parabéns pra Você”, comemorando a data.
Sua aparição pareceu ser o ponto alto do desfile do bloco infantil. Feitas as devidas homenagens, o bloco volta a descer a ladeira, aparentando a curta memória carnavalesca, feita de momentos fugazes que, porém, são flashes inapagáveis. Acabada a festa, estamos prontos para outra, como se nada tivesse acontecido. Mas no ano que vem, estaremos todos aguardando a “velhinha da janela”, na descida da ladeira, para outro Carnaval...
domingo, 30 de dezembro de 2007
OUTRO NATAL
Hoje reli o que escrevi pela ocasião do Natal no ano passado pro blog. Relendo à distância, o texto começa ácido com relação às festividades de fim-de-ano. Normal. Refletiu minha visão após um 2006 áspero, cheio de preocupações e restrições variadas...
Pois 2007 foi diferente, muito mais light. Em conseqüência, tive um outro Natal, muito mais fácil de levar. Sem stress, presenteamos os parentes que só vemos nessa ocasião com prazer. Os parentes que amamos e os que apenas aturamos ganharam presentes igualmente simples, na medida do nosso bolso e sem causar ciumeira em ninguém. E o parente que ia invadir nossa praia não poderá vir pro Revéillon e, se viesse, ia ficar num hotel!
A festa do trabalho foi ótima, correu tranqüila e, principalmente sem trabalho.
Não peguei shopping lotado, e no SAARA fui de manhãzinha, ou seja, o forno ainda estava frio e vazio, foi vapt-vupt.
A ceia foi farta sem ser supercalórica e seus ossos foram devidamente enterrados no dia seguinte, sem ficar entulhando a geladeira por dias a fio. No dia seguinte ao enterro dos ossos voltamos ao feijão-com-arroz e salada do dia-a-dia, sem culpa nenhuma pela já esperada engorda.
Foi mantida a tradição do Papai Noel encasacado e o pinheiro enfeitado, o que, vamos combinar, é muito fofo, né?
Passamos batidos e com facilidade por um Outro Natal, feito com mais sabedoria, mais harmônico, condizente com nossa vida, refletindo o ano que passou.
Desejo a todos vocês, leitores amigos, o mesmo bem-estar de que usufruí neste Natal, ou ainda melhor, se possível, para todo o ano de 2008 em diante.
FELIZ ANO NOVO, MUITA SAÚDE, PAZ, HARMONIA E REALIZAÇÕES PRA TODOS NÓS!
DE QUE É FEITO O NATAL
(Quase) todo mundo sabe o que é o Natal. É a data em que se comemora o nascimento de Jesus, blá-blá, blá-blá. O que nem todo mundo sabe é que essa data não tem evidências históricas suficientes, e que a Igreja a teria arbitrado com base em relação a alguma outra festividade da tradição hebraica. Afora especulações históricas, o que importa é que o Natal teria como foco celebrar o renascimento, a cada ano, de uma nova esperança, uma nova visão-de-mundo, que reavivasse o amor ao próximo em direção a um amor maior e incondicional por toda a Humanidade.
Então tá. O que nós, seres humanos, fizemos pra digerir toda essa grandiosidade e incluí-la em nosso mesquinho dia-a-dia? Vamos lá: materializamos nosso amor ao próximo em forma de presentes. Então no Natal a família, nosso núcleo primordial, deve estar toda reunida e, na virada da meia-noite, trocar os presentes, formalizando o amor mútuo.
Bacana! Para que esse sublime momento aconteça, muita água já rolou por debaixo da ponte. Houve discussões infindáveis sobre na casa de quem se iria passar o Natal. O que cada um levaria pra ceia. Como presentear cada um é trabalhoso e caro, reunir a maioria pra sortear o amigo oculto foi um stress!
E que saco ter de presentear aquele parente que você não atura e só encontra nas festas de família! E como presentear magnificamente o parente que você adora sem provocar ciúmes nos outros? E o que comprar praquele parente que você não vê há seis anos e resolveu vir passar o Natal no Rio pra emendar com o Revéillon em Copacabana?
Sem falar nas festas de trabalho, um capítulo a parte, em que fofocas, intrigas e puxadas-de-tapete teriam de se transmutar em confraternização... Perdão sincero ou hipocrisia, hein?
Com ou sem amigo oculto, é chegada a hora de comprar presentes: podem ser manhãs, tardes ou noites no shopping lotado ou no forno da SAARA.
Por falar em forno, por quê mantemos a tradição do pinheiro, do Papai Noel encasacado com seu trenó e renas, e da ceia supercalórica com nozes, avelãs e outros itens que casam perfeitamente com o frio do Hemisfério Norte?
Após tantos percalços acerca de presentes e cruzamento de referências culturais, ninguém mais sabe de que é feito o Natal. É, afinal, uma época atribulada pela qual, querendo ou não, acabamos por passar batidos. Para alegria de muitos, quiçá muitíssimos, que sentem-se enfim desobrigados de mostrarem-se tão bonzinhos e filantrópicos. Que podem enfim voltar ao seu feijão-com-arroz ou (salada!) do dia-a-dia, sentindo-se culpados por terem comido e, talvez, engordado tanto!
Então, de que é feito o Natal? Depende de como você vai fazer o seu: vai encarar o burburinho de final-de-ano com mau-humor ou aproveitar o pretexto para dar e receber tudo aquilo que você queria, e ainda comer alguma coisa diferente da rotina?
Já que o Natal é inevitável, relaxe e crie! Boas Festas, Boas Entradas e melhores saídas!
Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2006.