quarta-feira, 20 de maio de 2015

ONE LIFE, TWO MINDS - 20/05/2015

Looking back upon myself, I realize I have always been in two minds: between The Dhamma Backpacker and The Simple Man.
The Dhamma Backpacker is a free spirit, with a keen liking for the road and the whole wide world, with all its colours, and cultures, and sounds, and tastes...
The Simple Man sees his house as his world: as long as everybody in and around it is happy and safe, everything is fine in the Universe.

But tonight is a perfect night to be in a place called  home,
lying your body cosy and warm next to someone you love.

Sawyer takes me back to a long longed for place.
A place where I've always wished I had belonged.
Where my love-filled heart can spread on the palms of welcoming hands,
Where my weary body can rest in the warmth of squeezing arms,
Where my soul can sink and deeply shelter in an embrace.




sábado, 25 de abril de 2015

SAVED BY A WOMAN

'Did you know that true love asks for nothing?
Her acceptance is the way we pay.' 
(Stevie Wonder, As)

Then comes Sawyer Fredericks, displaying true heart-felt, gut-felt gratitude for the love he's given. That's all it takes to be flooded by even more love and bliss.
Love can be plain and simple, like living and dying, like the rising and the setting of the sun, like the phases of the moon and the sea tides. Like eating the fruits of the season. Like blooming and ageing.
Bathe in the love given to you each day and there'll be no place for hatred. Only joy.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Back home in the Shire - 28/12/2014



É como chegar em casa cansada, mas satisfeita, com aquele sentimento de dever cumprido.
Antes de tomar um banho, convém arrumar as compras e o jantar. Mas começa a chover lá fora, então cai bem um chocolate quente pra relaxar vendo a chuva cair.
Ao final da xícara, a chuva também vai amenizando e os pássaros começam a cantar de novo.
A Terra Média é uma delícia...

sábado, 14 de março de 2015

Cariocas não gostam de bancos lotados - 06/02/2015

Picture this: situação surreal num banco carioca. Lotado. Perto da hora de fechar numa sexta-feira chuvosa, sem muita cara de happy hour. O painel eletrônico que vai anunciando a senha tá bugado. Os (poucos) caixas vão gritando a senha numérica que recebemos num pedacito de papel. Me sinto numa repartição pública do INPS na década de 40. (Desculpem a licença poético-histórica: em que ano começou o INPS?). Só falta o barulho das máquinas de escrever e dos ventiladores de parede pretos e empoeirados.
Mas o espírito carioca ameniza a pressão. Conversamos como se bebendo cerveja num bar. Quando o caixa chama um número de alguém que não aparece, gritamos "Já foi!", sem que ninguém tenha combinado. E rimos. Falam banalidades enquanto escrevo. Nem tão carioca, terminada a mini-crônica farei minhas palavras cruzadas. Budistas evitam falar banalidades. Imagino que, fôssemos paulistas, por sermos ainda brasileiros, estaríamos talvez soltando umas piadinhas. Que seriam provavelmente bem mais amargas, suscitadas pelo choque que é este espetáculo de péssimo serviço!
Numa excursão no Maranhão fomos visitar o farol de Mandacaru. Interessante porque, após subirmos seus inúmeros degraus, poderíamos ver a vista de 360°. O rio, o mar, e a estreita faixa de areia clara que os separa. Para tal, saltamos do barco no cais e procedemos para a fila no portão de entrada. A visitação é gratuita e a entrada é estritamente controlada por militares, pois o farol é relativamente pequeno e pertence à Marinha.
O farol fecha às 11h30 e volta a abrir às 13h. Estávamos prestes a entrar quando deu o horário e o militar de plantão comunicou ao pessoal da fila que encerraria a visita por ora. Uns desistiram. Eu não acreditei. Imaginei que encerrariam a entrada na fila às 11h30! Fui falar com o militar expondo meu ponto de vista. "Tá escrito aí fora", foi a resposta dele. Repeti meu raciocínio acrescentando que isto estava errado, que eu não tinha vindo de longe com as minhas crianças pra perder o passeio pelo qual eu paguei! Aí veio o paulista com seu celular na mão perguntando a quem eles eram subordinados, avisando que ligaria para eles a fim de relatar a ocorrência a seus superiores. Enquanto o paulista procurava o número pela internet, voltei a "apelar" para a compaixão do militar: que decepção viajar até tão longe e perdermos a vista do farol! Depois de esperarmos em baixo do sol, suados, com sede, com calor... E à toa, pra perder o passeio, que estava no roteiro que compramos e blá-blá-blá. O militar nem olhava mais pra minha cara. E o silêncio se fez. Suspirei alto e ficamos os três olhando para ele. Ele olhou em direção ao silêncio e viu três caras tristes atrás das barras do portão. Mongrel dogs. Levantou-se rápido e, irritado, liberou nossa entrada com aquela cara de vai-logo-antes que-eu-mude de ideia. Meu filho até hoje acha que foi a ameaça-fantasma da ligação paulistana.
Chamaram a minha senha.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PASSANDO O AÇUCAREIRO - Hello, mottos!

Segundo a astrologia chinesa, 2014 era o ano do Cavalo. Retro-refletindo, avalio hoje como ele entrou estrepitoso em sonhos e ansiando por liberdade, mesmo como um cavalo de corrida. Era o ano da Copa, o ano das eleições, o ano em que minha filha mudava de escola. O ano que só começava no segundo semestre, de tantos feriados que havia no primeiro! O ano que acabou sem começar direito. O ano do Cavalo deu zebra.
Ainda segundo os chineses, 2015 é o ano do Carneiro, que deve ser menos energético e mais lento que o ano passado, como também mais harmonioso, equilibrado e pacífico, nos aproximando da família e nos deixando mais sensíveis e criativos para enfrentar os problemas. Talvez por isso tenha sentido que a passagem desse ano foi bem mais sutil e preguiçosa. Como se 2014 estivesse passando para 2015 do mesmo jeito que passamos o açucareiro na mesa do café-da-manhã de domingo.

Na meditação da manhã do dia 1º ouvia-se ao longe o funk do baile que teimava em não terminar. Com o calor, já tão cedo, mesmo os pássaros pareciam ainda querer dormir, enquanto o vento, por sua vez, parecia não querer soprar. Um ano que não queria começar: pesado, quente e sonolento.
Imersa nessa modorra generalizada, atipicamente me senti com vontade de sair do Vihara e voltar para a minha casa, para as minhas coisas, para os meus assuntos. De preferência ficar sem as crianças, com tempo e espaço só para mim e minha inevitável mente. Como se, depois do café-da-manhã, quisesse voltar a dormir, ou me esconder em minha toca, no meu Hobbit Hole, até que o calor passasse e o mundo novamente voltasse a se mover tocado por, ao menos, uma brisa fresca.
Esperando este precoce e prolongado domingo acabar, sem nenhuma pressa pela azáfama das segundas-feiras, avisto o novo ano chegando como se fosse um navio em mar de calmaria. Não espero que ele traga novidades, apenas mais do mesmo. 
Mas se engana quem nestas linha lê monotonia. Como bem descreveu Joaquim Ferreira dos Santos em sua mais recente crônica, "as pequenas felicidades escondidas nas desacontecências de 2014 me foram mais importantes." Foi onde imponência do Cavalo deu lugar à doçura da zebra. E "a preservação dessas trivialidades benignas é fundamental para a felicidade da nossa espécie."
Com meu motto de 2014, "let go of things", deixei bastante coisa para trás, cavalo querendo se livrar das rédeas e arreios. Já como ovino, hei de ruminar 2015 com meu motto by John Lennon: "Life is what happens to you while you're busy making other plans."





SIMqüenta - 22/09/14

SIM, patia.
SIM, plicidade.
SIM, ceridade.
SIM, cronicidade.
SIM, qüenta!
SIM, com trema pra todo mundo ler como se fala.
NÃO é assim que se escreve sincronicidade,
nem sinceridade,
nem cinquenta.
Mas quem SIMporta?
SIMbora viver mais SIMqüenta!
Patrícia SIMoens.

PAREDES - 05/09/14

Hoje, no biscoitinho da sorte do chinês, veio a mensagem: "Se você está só é porque construiu paredes ao invés de pontes."
Não posso negar que sou comunicativa, sou relativamente extrovertida, tenho bom senso de humor, sou geralmente boa de jogo... e sou humilde. Ou seja, nada do tipo que constrói paredes ao invés de pontes.
Deduzo, então, que esse "lonely feeling" só pode ser algum karma aí que ora vem frutificando. Alguma outra crença poderia dizer é um desafio que tenho que enfrentar para me elevar espiritualmente. Alguma outra poderia dizer que é praga. Ou que estou pagando meus pecados. E por aí vai um fieira de explicações.
Volta e meia lembro de uma história do meu monge favorito. Sem nenhum treinamento prévio no ofício de pedreiro, com muito esforço e paciência, ele havia erguido uma parede na construção de um mosteiro. Dois tijolos ficaram mal colocados e ele se envergonhava muito deles. Até que um visitante no mosteiro o parabenizou pela parede e chamou sua atenção para os outros 998 tijolos bem colocados! Daí pra frente sua atitude com relação à parede mudou, e ele passou a usar este símile para despertar a atenção de outras pessoas quando elas reclamam dos problemas de suas vidas. Possivelmente elas não estão olhando a parede toda, só os dois tijolos errados!
Depois de conhecer esta história penso logo nos outros 998 tijolos quando sinto que vou entrar no "modo lamentação". Mas, pra me livrar mesmo desse Samsara besta, o melhor é me lembrar, momento a momento que, se não houver o construtor, não haverá mais nada. Nem paredes, com seus tijolos certos ou errados, nem pontes.